Falando de livros: Free (grátis): o futuro dos preços

Hoje faço uma pausa na série de artigos sobre qualidade em serviços (que retorna na segunda-feira). Hoje é dia de falar de livros!

Um mundo onde bens e serviços são entregues de forma gratuita e as empresas, ainda assim, conseguem ganhar dinheiro e crescer, podendo vir a figurar entre as maiores e mais valorizadas companhias do mundo – parece utopia? Esta é a ideia central defendida por Chris Anderson, no livro Free (Grátis): o futuro dos preços.

O autor, que ficou conhecido pela publicação do best-seller Cauda Longa – fenômeno mundial de vendas, é físico, e jornalista especializado em tecnologia, e fundamenta suas ideias com pesquisas baseadas em dados científicos e empresariais, apontando tendências e caminhos para quem, de algum modo, compete (ou pretende vir a competir) através da internet.

Com o crescimento das comunicações e transações comerciais via internet, a discussão sobre valor dos intangíveis tem crescido em importância e frequência.  Enquanto a valorização de uma consulta médica, um parecer advocatício, ou a solução de um problema de engenharia envolvem discussões polêmicas, o Google resolve muitos problemas de conhecimento, de forma gratuita. Embora o usuário pague pelo acesso à internet, tenha custos com os equipamentos, e energia, o serviço em si, prestado pelo Google, é gratuito. E o Google Inc. é hoje, uma das marcas de maior valor no mundo, além de faturamento crescente.

Mas esta discussão sobre o Grátis não é uma particularidade das transações via web. King Gillette, para viabilizar sua invenção de 1903, passou a comercializar barbeadores com margens muito baixas, uma vez que a venda de lâminas é que contribuíam para os resultados financeiros de seu negócio. E, para não ir muito longe, o negócio de emissoras de rádio não é viabilizado pelo pagamento de músicas e notícias por parte de seus ouvintes, mas sim da publicidade comercializada junto a  seus anunciantes.

As várias modalidades de “grátis” podem envolver: produtos pagos subsidiando produtos grátis (compre uma escova e leve um creme dental); pagar mais caro subsidiando o grátis (televisão aberta x preços dos anúncios), e pagantes subsidiando não pagantes (mulher só paga meia entrada). Boa parte deste movimento de “coisas sendo oferecidas gratuitamente” é consequência dos ganhos de produtividade empresarial, como jornal gratuito, redução de preços em medicina, pois os serviços de diagnóstico serão prestados por softwares e equipamentos, redução de custos logísticos – o famoso “frete grátis”. O autor cita o caso da Banda Calypso, que distribui CDs gratuitamente, como forma de tornar sua música conhecida, pois a banda está no negócio de shows, e não em venda de CDs.

Mas é na web que o Grátis se torna mais evidente, e mais crescente. A web se tornou o território do grátis por razões econômicas, dado que o custo marginal de todas as coisas on line aproxima-se do zero. Paradoxalmente a ideia de que “informação é poder” contrasta com a tendência de disponibilizar conteúdo gratuitamente. Se a informação torna-se valiosa – isto é válido para informação escassa, a informação abundante tende a ser grátis. Algo como: uma consulta sobre como resolver um problema, de forma generalizada você encontra na internet, mas se você quer resolver um problema específico, a adequação da solução envolve um custo, que certamente vai ser alto. O software livre está acessível a qualquer um, mas um sistema ajustado às suas necessidades requer desenvolvimento e acarreta custos superiores.

O Google, ícone desta economia do Grátis, conseguiu desenvolver um modelo de negócio que torna-se melhor a cada vez que um usuário acessa links de páginas, aumentando sua capacidade de pesquisa e refinamento.

As 10 regras do Grátis: 1. Se for digital, mais cedo ou mais tarde será Grátis; 2. Os átomos não fazem mais tanta questão de ser Grátis; 3. Não há como impedir o Grátis;   4. É possível ganhar dinheiro com o Grátis; 5. Redefina seu mercado; 6. Arredonde para baixo; 7. Mais cedo ou mais tarde, você concorrerá com o Grátis; 8. Adote o desperdício; 9. O Grátis faz as outras coisas terem valor; 10. Administre para a abundância, não para a escassez.

Concluindo, se você ou sua empresa atua via Internet, você deve considerar, fortemente, a possibilidade de entregar (pelo menos alguns) serviços gratuitos, como forma de dar continuidade aos seus negócios atuais e futuros.

Este e outros livros estão sendo apresentados, de forma didática e dinâmica, através do programa Leituras Conectivas, www.leiturasconectivas.com.br.

 

 

2 comentários sobre “Falando de livros: Free (grátis): o futuro dos preços

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