Falando de livros: O poder das conexões

Estar conectado, hoje em dia, parece ser uma “obrigação” para as pessoas, seja em termos de  negócios ou amizades.  Twitter, Facebook e outras formas de rede social via internet parecem nos assediar de uma forma que, aqueles que não estiverem fazendo parte podem se sentir alijados do mundo moderno. Isto faz sentido?

É deste assunto que tratam Nicholas Christakis (médico e cientista social) e James Fowler (Cientista político), no livro “O poder das conexões” (Connected). Os autores apresentam evidências de como as redes sociais modelam nossas vidas e afetam como nos sentimos, com quem casamos, e até como adoecemos.

A motivação para as pesquisas que resultaram no livro veio da percepção dos danos que a morte de uma pessoa causa em outras pessoas – como se a saúde das pessoas que se relacionam também guardasse algum tipo de relação. A observação destas relações de causa-efeito entre pares de pessoas, como irmãos, amigos ou vizinhos logo permitiu a identificação de conjuntos maiores de pares, formando verdadeiras teias – redes. O fenômeno, que já vinha sendo estudados por outros cientistas sociais desde o início do século XX, permitiu identificar relações como o impacto de alguém perder peso porque o amigo de amigo havia perdido peso, e pessoas que param de fumar porque o amigo do amigo parou de fumar.

As redes sociais, entendidas como organizações de pessoas e suas respectivas conexões, permitem identificar de forma mais precisa, quem somos nós. Em outras palavras, para saber quem somos, devemos entender como estamos conectados. Por exemplo, uma pesquisa realizada nos EUA mostrou que 75% dos homicídios envolvem pessoas que já se conheciam, muitas vezes intimamente, antes do assassinato. Isto sugere que nossos assassinos potenciais são pessoas que vivem à nossa volta. Por outro lado as redes sociais potencializam aspectos como a doação de órgãos, e outras ações sociais.

As redes sociais explicam porque as emoções se propagam de pessoa para pessoa – na Tanzânia, em 1962, uma epidemia de riso, iniciada em uma escola, com três meninas, durou aproximadamente 6 meses, tendo chegado a fechar a escola, e alcançou outros municípios  “afetando” mais de mil pessoas. Achar que escolhemos a pessoa com quem casamos é, em parte, verdade – ninguém, usualmente, nos obriga a casar com alguém – mas o impacto das redes sociais ajuda a compreender nossas escolhas – uma pesquisa mostrou que 68% das pessoas conheceram seus cônjuges através de alguém que os conhecia, enquanto 32% das conheceram o cônjuge via auto-apresentação. De outra forma, o impacto dos laços sociais  baseado na geografia têm sido significativamente menores – o percentual de pessoas que conheceram seus cônjuges na vizinhança caiu, de 20% em 1960, para 3% em 1984. Uma outra pesquisa ilustra que a felicidade tende a agrupar as pessoas menos felizes em conglomerados, enquanto as pessoas mais felizes tendem a formar grupos distintos e em maior quantidade.

Além das emoções, as redes sociais são capazes de moldar comportamentos: relatos de uma epidemia de sífilis ocorrida na Geórgia (EUA) apontaram a falta de diálogo entre pais e filhos como um fator que contribuiu para a disseminação de prática de sexo, acarretando a disseminação da doença. A simples veiculação de notícias sobre suicídio, pelo The New York Times, contribuiu para o aumento do número de suicídios. O hábito de fumar tem decrescido sobremaneira nos últimos 40 anos, fenômeno explicado em parte pela “pressão governamental” em face dos custos assistenciais com doenças causadas pelo fumo, mas também como reflexo da pressão das redes sociais. As redes sociais podem também explicar porquê os ricos estão mais ricos e por que a desigualdade econômica continua a aumentar. A lógica é simples: se você for rico, você atrai mais amigos e, se tiver mais amigos, você pode encontrar mais maneiras de se tornar rico

Concluindo, as redes de que ouvimos falar hoje em dia, em especial as redes sociais via web nada mais são do que o reflexo do impacto do comportamento humano, evidenciado nas pesquisas conduzidas ou relatadas pelos autores do livro, potencializadas pela facilidade e conectividade proporcionada pela interconexão da internet. E o sentido disto tudo está baseado na tendência essencialmente humana de interagir com seus pares, facilitando  amizades, negócios e outros tipos de relacionamento.

Este e outros livros estão sendo apresentados, de forma didática e dinâmica, através do programa Leituras Conectivas – informações através do site www.leiturasconectivas.com.br.

 

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s