Falando de livros: A lógica do Cisne Negro

 

A logica do cisne negro

Porque o mundo não se deu conta da ascensão de Hitler, antes que ela ocorresse? Podemos dizer que o fim repentino do bloco soviético foi algo inesperado? A disseminação da internet foi um evento-surpresa? O desafio proposto por Nassi Nicholas Taleb, no livro A Lógica do Cisne Negro, é que possamos abordar nossa cegueira em relação à aleatoriedade, particularmente os grandes desvios: por que motivo nós, cientistas ou não, figurões ou caras comuns, tendemos a ver os centavos em vez dos dólares?

 

O autor, professor de Ciências da Incerteza da Universidade de Massachusetts, propõe que  olhemos para os eventos “altamente improváveis” de um modo diferente, e que, assim, possamos considerá-los mais fortemente, podendo, então, fazer articulações anteriores e posteriores, minimizando ou neutralizando seus efeitos. O conceito de “Cisne Negro” é introduzido a partir de um fato histórico: antes da descoberta da Austrália, as pessoas do mundo antigo estavam convencidas de que todos os cisnes eram brancos. Uma única observação poderia invalidar uma afirmação originada pela existência de milhões de cisnes brancos. Ai de quem ousasse falar de um cisne negro!

Assim, um cisne negro é um evento com três atributos: é um outlier, pois está fora do âmbito das expectativas comuns; exerce um impacto extremo; e faz com que desenvolvamos explicações para sua ocorrência somente após o evento. A ascensão de Hitler, o fim do bloco soviético e a disseminação da internet se encaixam nas três condições, e a combinação de baixa previsibilidade e grande impacto transforma o Cisne Negro em um grande quebra cabeça. A lógica do Cisne Negro torna o que você não sabe mais relevante do que aquilo que você sabe, isto é, o altamente improvável carrega também uma forte dose de “ignorância” inconsciente, pois tendemos a achar que o que sabemos tem mais chance de ocorrer do que aquilo que não sabemos ou temos pouco conhecimento. É mais fácil – mais cômodo – acreditar nisto. Se pouco sabemos da estratégia do concorrente, qualquer que seja a área de atuação, tendemos a considerar como mais provável que o que estamos pensando ocorrerá com probabilidade maior.

O autor nos convida a relembrar o atentado terrorista de 11 de setembro de 2001, em Nova York, e sugere que se o risco fosse razoavelmente concebível no dia 10 de setembro, o atentado não teria acontecido – caças teriam voado ao redor das torres gêmeas, os aviões teriam portas trancadas, e tudo teria sido diferente. Do mesmo modo, o famoso Tsunami de 2004 no oceano índico, caso fosse esperado, não teria causado os estragos que causou. Taleb defende que quase nenhuma descoberta importante foi fruto de projetos e de planejamento – foram apenas Cisnes Negros. Para ele, descobridores e empreendedores contam pouco com um planejamento estruturado. O que fazem é focalizar no máximo de experimento e reconhecer as oportunidades quando elas surgem.

Qual a recomendação então? Taleb nos sugere colecionar o maior número possível de oportunidades de Cisnes Negros. Em vez do comportamento usual, considerado “normal” de se concentrar em como normalmente as coisas acontecem, devemos levar em conta, primeiro, os extremos. O mundo é dominado pelo extremo, pelo desconhecido e pelo improvável. Passamos o tempo todo envolvidos em minúcias, concentrados no conhecido e no que se repete. O autor sugere a existência de dois mundos: o mediocristão e o extremistão. Pertencem ao mediocristão assuntos como altura, peso, ingestão de calorias – todos estes assumem comportamento semelhante associados à distribuição normal (estatística), em que existem valores médios, em torno dos quais os demais se distribuem de forme relativamente equilibrada. No extremistão podemos ver temas como riqueza, renda, vendas de livros por autor – nestes, os dados não se distribuem de modo equilibrado em torno do valor médio. Imagine J.K. Rowling (autora da série Harry Potter) junto a mil escritores e confira o volume de vendas de seus livros. Analogamente, compare a riqueza de Bill Gates (fundador da Microsoft) junto a mil pessoas colocadas ao seu lado num estádio de futebol. Os extremos dominam!

Concluindo, Taleb nos provoca a refletir, pois define o ser humano como maravilhosas máquinas de dar explicações, capazes de atribuir sentido a quase tudo – depois do evento ocorrido, e geralmente incapazes de aceitar a idéia da imprevisibilidade.

Este e outros livros estão sendo apresentados, de forma didática e dinâmica, através do programa Leituras Conectivas – informações através do site www.leiturasconectivas.com.br

3 comentários sobre “Falando de livros: A lógica do Cisne Negro

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s