Falando de livros: A cabeça de Steve Jobs

 

A cabeça de Steve Jobs

Um líder de uma empresa bem sucedida deve ser democrático? Um executivo considerado autocrático sobreviveria no mundo de hoje? Com a disseminação de conhecimento, uma empresa consegue guardar segredo de seus novos produtos até o dia do lançamento?  Uma empresa que adota um excessivo controle do poder e da informação conseguiria ser competitiva no mundo tão acelerado como a informática? Essas questões estão presentes no livro “A cabeça de Steve Jobs”, escrito por Leander Kahney.

Kahney, um aficionado por produtos Apple, considerada a mais revolucionária empresa do mundo, cobre a sua história desde 1997 na condição de repórter e editor da revista wired.com. E este acompanhamento continuado da empresa de Steve Jobs permite-lhe descrever um pouco dos fatos positivos, bem como de aspectos reconhecidamente criticados da história deste organização, considerada um ícone no mundo da computação.

No livro, o autor descreve a história da Apple, desde o desenvolvimento do primeiro computador pessoal – Apple I (1976), passando por uma série de lançamentos de produtos altamente bem-sucedidos, como o Macintosh (1984) – o primeiro computador a fazer uso do mouse, que tornou a Apple conhecida como a mais inovadora em tecnologia, o iMac (1998), que com o seu design inovador, lançou o sistema “tudo em um” – computador integrado com monitor, drive de CD, o lançamento do iPod (2003), uma revolução no ramo musical (empresa de computador fazendo musica?), em 2007 o revolucionário iPhone – smartphone controlado por toque, tela grande, vários aplicativos, conexão wi-fi, e, acima de tudo, um uso altamente intuitivo. O iPod, lançado em 2003, foi o produto que transformou a Apple de uma fabricante de PCs em constante luta pela sobrevivência em uma potência no mercado de eletrônicos.

Mas entre 1984 e 1996 a história da empresa teve um hiato, com a “demissão” de seu fundador – Steve Jobs. Por desentendimento com o conselho de administração, Steve foi afastado da vida da Apple, retornando somente em 1996, com a empresa em plena decadência. Com o retorno de Jobs, a empresa adentra um novo ciclo de inovação, renovação e superação. O livro retrata esta fase da empresa, em que Jobs reduz drasticamente o portfólio de produtos a 4: dois desktops e dois notebooks, concentrando-se no que a Apple sabia fazer de melhor: computadores extremamente produtivos e fáceis de usar. O retorno foi marcado por um desafio à equipe, ressaltando a capacidade criativa e inovadora da empresa.

A partir de 1996, a empresa retomou os grandes lançamentos, cercados de muito sigilo – os anúncios do lançamento dos novos produtos são eventos muito aguardados, carregados de muita expectativa, o que gera muita mídia espontânea. Os funcionários da empresa são proibidos de comentar sobre os produtos em desenvolvimento até mesmo com a própria família, fazendo esta conduta parte do contrato de trabalho. O controle é considerado excessivo, mas isto faz parte da estratégia de marketing – curiosidade gerando notícias. Uma das razões para o excelente desempenho dos produtos Apple é o controle exercido pela empresa, que desenvolve e/ou aprova desde o hardware, software até procedimentos de distribuição.

Em tempos de disseminação de conhecimento, a empresa de Jobs parece andar contra a corrente, pois guarda a sete chaves o que pesquisa. E tudo é controlado pelo cabeça deste processo, que, em muitos momentos tem postura autocrática. Há um certo folclore na empresa sobre ser “stevado”, que consiste numa entrevista com Steve para eventual contratação. Para alguns, uma reunião com Jobs pode ser uma prova de fogo – ele questiona tudo o que se diz, às vezes de forma extremamente rude. Na verdade, está testando para ver se as pessoas estão bem informadas quanto aos fatos que defendem e se têm argumentos fortes. Para ele, existem apenas dois tipos de pessoas: os gênios e as antas. O esforço dele para ter o melhor pessoal do mundo trabalhando na Apple pode ser visto na afirmação: “sempre considerei como parte das minhas funções manter muito alto o nível de qualidade das pessoas nas organizações em que trabalho” (Jobs).

Concluindo, o controle exercido pela empresa, e pelo seu dirigente maior, se por um lado constituem motivo de critica, parece ser, de fato, a estratégia de gestão que tem levado a Apple à posição e conceito atual, fazendo com que se indague – estão certos ou errados?

Este e outros livros estão sendo apresentados, de forma didática e dinâmica, através do programa Leituras Conectivas – informações através do site www.leiturasconectivas.com.br

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