Comportamento do servidor público

Este artigo faz parte da série “gestão no serviço público”, sendo o nono de um total de 10.

Funcionário público

Servidor público gosta de servir ao público? O comportamento de servidores e instituições públicas está, de fato, voltado aos interesses comuns? Governantes e servidores públicos ocupam cargos públicos para servir ao povo ou para servir-se do povo?

 

A frase publicada por Albrecht “a coisa que o servidor público mais detesta é servir ao público” foi uma grande provocação junto ao serviço público nos Estados Unidos, no ano de 1989.

Já tivemos no passado muitas situações no Brasil em que isto tinha muito de verdade, mas, felizmente, temos hoje, bons exemplos de serviço público que funcionam muito bem. Mas, de modo geral, você acha que a frase em destaque se aplica ao serviço público brasileiro em 2011? Vejamos:

  • Recebemos, como usuários de serviço público, atenção e respeito por parte das instituições públicas?
  • O tratamento dispensado pelos servidores públicos inclui atenção e respeito como deveriam incluir?
  • Os servidores públicos estão mais interessados em servir ao público ou servir-se dos salários arrecadados do contribuinte?
  • Os servidores públicos, incluindo os gestores, agem com a responsabilidade esperada no trato dos recursos públicos? Agem com responsabilidade em relação ao seu papel de agente do bem comum?

Questões como estas podem gerar comportamentos inadequados, em maior ou menor grau, na medida em que o conceito e atributos do comportamento servidor se fazem presentes.

Mas o que é Comportamento Servidor?

O comportamento servidor está relacionado à ideia de imbuir pessoas, profissionais e, consequentemente organizações, do senso de servir, cuja definição afirma que “servir é executar atividades visando propor benefícios àqueles a quem servimos” (Nóbrega, 2006)

Os atributos do comportamento servidor são: cuidar do outro, iniciativa, fazer o útil, responsabilidade, renúncia, simplicidade e práticas do bem comum (veja artigo https://klebernobrega.wordpress.com/2011/08/01/o-que-e-comportamento-servidor/)

Vejamos alguns exemplos:

  • O servidor público (e instituições) que se preocupa em cuidar do cidadão, na condição de usuário dos serviços prestados pelos órgãos públicos;
  • O servidor público (e instituições) que toma iniciativa de fazer, em primeiro lugar, o que é de sua responsabilidade, e que não fica à espera de demanda, mas age, independentemente de ser solicitado;
  • O servidor público (e instituições) que procura fazer, de fato, coisas úteis, não desperdiçando tempo, materiais, recursos financeiros. Já viu 3 servidores públicos batendo papo, enquanto muito serviço deixa de ser realizado?
  • O servidor público (e instituições)  que age em busca de assumir, plenamente,  suas responsabilidade, não culpando o sistema, a instituição, ou o governante, pelas suas deficiências;
  • O servidor público (e instituições) que renuncia a seus interesses, em benefício do cidadão, independente de que posição este cidadão ocupe na sociedade;
  • O servidor público (e instituições) que age com simplicidade e humildade de quem está ali para servir ao povo;
  • O servidor público (e instituições) que, muito mais do que realizar seus interesses pessoais, ou se ancorar na estabilidade proporcionada por concurso  público, age em nome da coletividade.

O que fazer?

Depois de introduzir o conceito e atributos do comportamento servidor, a única coisa que posso acrescentar é que, se isto for minimamente praticado, de forma ampla, poderemos ter serviço prestados por instituições públicas com muito mais qualidade, produtividade, e, acima de tudo, reconhecimento por parte do cidadão usuário e contribuinte.

Nesta série de artigos discorremos sobre gestão no serviço público. Na Figura 1 apresentamos a estrutura dos 10 artigos.

Estrutura da série de artigos "Gestão no serviço público"

2 comentários sobre “Comportamento do servidor público

  1. Kléber, lhe sou grato pela abordagem, sinto a necessidade de discutir em outra esfera a questão do Serviço Público, principalmente, com a parte mais interessada, ou seja, a população. Sou servidor público, do poder executivo, há quase cinco anos, e confesso-te que a questão é mais complicada do que se possa imaginar. Em detrimento, mas com respeito a opinião do colega acima, saliento que não é bem assim. Literalmente, acontece e há de tudo no Serviço Público. E, não são poucas, as pessoas comprometidas com a qualidade dos serviços prestados e com o cumprimento das atividades. Mas, posso afirmar que o problema extrapola o caráter e comprometimento dos Servidores. As mesmas amarras que ocorrem na câmara e no senado impedindo as tomadas de decisões em prol da população como um todo e não, apenas, de determinados grupos ou porque não dizer partidos, existem também na execução das tarefas. Os absurdos são tantos, muitas vezes, óbvios. Não pode negar-se a má fé. Como exemplo, cito uma Divisão de Engenharia chefiada por um estudante, de nível superior, que possui a incumbência de supervisionar e delegar as atribuições de quatro Engenheiros, sendo um deles com mestrado, todos concursados efetivos, anos de experiência na Administração Pública. Ou seja, o crivo técnico necessário para a efetivação das implementações está renegado, isso implica em uma máquina mais lenta e onerosa. Outro aspecto, as indicações de cargos de chefia, frequentemente, são ocasionadas em virtude da posição e atuação política. Portanto o quesito capacidade técnica é pouco considerado. E, enquanto as instituições não estiverem consolidadas e autônomas, principalmente, os Ministérios, não tiverem missões bem definidas e livres de interesses eleitorais, infelizmente, confesso-te que a perspectiva não é das melhores. O caso citado acima foi denunciado junto ao CREA e nada foi feito, no Ministério Público a mesma coisa, então, o que fazer? Somente, quando a população indignar-se com tamanho desperdício é que as coisas mudarão de fato.

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